OSCAR 2018: OS DESTAQUES DA DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

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Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia

Conheça tudo sobre o backstage dos filmes indicados na categoria de cinematografia, na qual Rachel Morrison é a primeira mulher na história a concorrer



15/02/2017| POR PAULA JACOB | FOTOS DIVULGAÇÃO

Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Depois de apresentar os melhores cenários do anoA Arte do Cinema dá continuidade ao especial pré-Oscar com os indicados na categoria de Melhor Fotografia. Para quem não sabe, um diretor de fotografia é o especialista “em processos fotográficos, iluminação e técnica de cinematografia” (BORDWELL; THOMPSON, p. 55), ou seja, ele precisa saber de absolutamente todas as etapas de construção técnica imagética de um filme. É ele que responde e consulta o diretor de um filme para assim acordarem “como cada cena será iluminada e filmada” (BORDWELL; THOMPSON, p. 55). Cabe também ao diretor de fotografia supervisionar o cinegrafista (operador de câmera – por vezes, o próprio diretor de fotografia que comanda o equipamento); o maquinista (supervisor dos técnicos de organização e transporte de equipamentos); e o gaffer (eletricista-chefe do set). Além disso, é de extrema importância para a unidade visual do filme que o diretor de fotografia esteja alinhado com a equipe de arte.

Confira abaixo os detalhes dos filmes nomeados ao Oscar 2018 por Melhor Fotografia:
“Mudbound”, Rachel Morrison
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Garrett Hedlund, Mary J. Blige and Rob Morgan appear in <i>Mudbound</i> by Dee Rees, an official selection of the Premieres program at the 2017 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute |photo by Steve Dietl. (Foto: Divulgação)

O filme dirigido por Dee Rees (ela escalou só mulheres para a trabalhar neste longa) se passa durante a Segunda Guerra Mundial, no Mississippi. São várias histórias que correm em paralelo sobre os diversos personagens, que se convergem em vários momentos, tudo baseado no livro homônimo de Hillary Jordan. A luta de fazendeiros locais pela sobrevivência, a postura da mulher dentro de casa, a relação de famílias e, principalmente, o racismo de um povo que ainda tratava os negros como escravos são alguns dos temas que podemos absorver de um filme tão intenso quanto este. Em uma narrativa politizada, Dee Rees nos entrega a visão de um negro sobre o racismo (ponto crucial do filme) a partir da amizade de dois jovens que voltam da guerra vitoriosos pelo seu país - o branco, venerado, e o negro, inconformado com a falta de igualdade racial nítida na região. Mais um filme este ano que, por mais que seja ambientado em outra época, nos faz questionar as nossas ações e posturas atuais.
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Garrett Hedlund and Jason Mitchell appear in <i>Mudbound</i> by Dee Rees, an official selection of the Premieres program at the 2017 Sundance Film Festival. Courtesy of Sundance Institute |photo by Steve Dietl. (Foto: Divulgação)
Para acompanhar esse retrato cru da sociedade rural, Rachel Morrison opta por manter a luz natural em todas as cenas e, com auxílio da tecnologia disponível hoje, consegue transformar todos os takes em pinturas. “Eu vejo a cinematografia como um projeto invisível, que está a favor da história mas que não precisa mostrar que está ali”, comentou ela em entrevista ao Film Content. Takes abertos da natureza, cores do céu que se misturam com a terra, assim como closes em momentos cruciais revelando as escolhas dos seres humanos são alguns dos recursos presentes no filme. Bonito de se ver - e de chorar também. Vale ressaltar que Rachel com Mudbound (Netflix) fez história ao ser a primeira mulher em 90 anos de Oscar a ser nomeada na categoria de fotografia.
“Blade Runner 2049”, Roger Deakins
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Existem dois universos bem marcados em Blade Runner 2049 e, além da direção de arte que marca o existencialismo do protagonista, a fotografia entra para marcar os “territórios” e complementar a estética minimalista do diretor Denis Villeneuve. Gravado em estúdio, em Budapeste, a equipe de Roger Deakins (nomeado ao Oscar 14 vezes) trouxe referências bem distintas para a construção visual desses dois microambientes que tomam conta do filme. O primeiro que aparece para o espectador remonta a nostalgia do Blade Runner de Ridley Scott, com chuva, neve, fumaça e a falta de esperança de um futuro consumido pela tecnologia. Para isso, Deakins pesquisou imagens de Beijing. “Percebi que a presença da fumaça é importante também para a iluminação, aquela meio neon que se revela difusa entre as nuvens ‘sujas’”, explicou ele ao IndieWire. 

Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Pela primeira vez, Villeneuve quis usar a cor como parte da jornada do personagem de Ryan Gosling. O que interferiu na direção de arte e fotografia. Os tons de amarelo e laranja saem de referências de cidades áridas como as do México, Espanha e Las Vegas para preencher a região onde Deckard (Harrison Ford) está escondido. Deakins teve um desafio nesta parte, porque o estúdio em Budapeste não comportava o tamanho do cenário necessário para fazer o hotel. Então a equipe teve que fazer por partes e a fotografia iluminar com o tom certo de laranja para dar continuidade a identidade do espaço. Outro ponto alto da fotografia de Blade Runner 2049 é a cena na qual vemos um show holográfico de Elvis Presley meio a uma luta entre K (Gosling) e Deckard (Ford). O diretor de fotografia manteve a iluminação pontual para termos a sensação de surpresa entre os movimentos da luta e deixou as “bordas” em preto para deixar o ambiente maior do que ele realmente era.
“Destino de uma Nação”, Bruno Delbonnel
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Uma das grandes metáforas que podemos extrair do filme de Joe Wright é a revelação de Winston Churchill como primeiro ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. Um político que não tinha tanto respeito dentro do próprio partido e não era conhecido pela população sai, literalmente, das sombras para o protagonismo decisivo no conflito, revertendo a terrível situação dos soldados ingleses em Dunkirk (aliás, indico ver um filme depois do outro). Assim como a direção de arte contribuiu para este efeito, a fotografia de Bruno Delbonnel foi importantíssima, já que marcou de maneira eficiente esse jogo de luz e sombra do personagem, interpretado pelo ótimo Gary Oldman. 
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Gravado parte em estúdio e parte em cenários reais, como casas e castelos antigos, o filme ganhou poder na iluminação externa, com grandes fresnéis postos nas janelas para dar o efeito de cortina de luz nas cenas e nos personagens. Em um momento de desespero, Churchill opta por usar o metrô de Londres para conversar com a população sobre os passos seguintes da guerra, e nesta cena, a luz muda e a fotografia se torna mais quente e menos “artificial”. Por isso, podemos traduzir algo como Churchill se mostrando quem ele realmente é. Uma brincadeira excelente de recursos cinematográficos.
“Dunkirk”, Hoyte van Hoytema
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Repetindo a fórmula e o duo de Interstellar, Christopher Nolan convidou novamente o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema para seu novo longa, sobre a famosa (e importante) história de Dunkirk, durante a Segunda Guerra Mundial. Conhecido por querer sempre se superar quando o assunto é experiência visual, Nolan não deixou de lado sua fama – e Hoytema cumpriu a missão muito bem. Sem um personagem humano principal, a câmera se torna o protagonista que passa pelos conflitos em terra, na água e nos ares, com os diferentes militares e civis presentes na trama. Tudo é muito amplo e com muita qualidade, afinal, Nolan queria usufruir do Imax da melhor forma. “A grande questão para nós era: como fazer algo que os espectadores estivessem mergulhados na situação e sentissem o que cada personagem sentia”, comentou o diretor de fotografia ao LA Times.
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Trabalhando com os engenheiros da Panavision, Van Hoytema desenvolveu novas lentes que se movimentavam de acordo com as cenas, capazes de se inclinar quando preciso, caber em espaços apertados e ser ultra sensíveis a luz para os momentos de closes. “A câmera quer seguir a ação. Nossos atores estão, de certa forma, levando a câmera onde ela precisa estar – é um jeito reativo de gravar um filme, como em documentários”, resume ele. “Você não espera a bomba cair, você acompanha todo o movimento quando isso acontece. Tentamos o máximo possível dar a experiência em primeira mão.” Espere por takes longos e abertos que, de repente, se tornam aproximados, em uma montagem bem específica para a proposta de Nolan ao retratar um filme de guerra.
“A Forma da Água”, Dan Laustsen
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
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Depois de Guilhermo del Toro desistir de gravar o filme em preto e branco, as equipes de arte e fotografia, ao lado do diretor, escolheram uma paleta de cor que permeou absolutamente tudo em A Forma da Água. Para Dan Laustsen a tarefa ficou em deixar o elemento aquático presente em todos os takes, com chuva, com fumaça, com bolhas, etc. Sem manipulação de cores na pós-produção, a fotografia convence justamente por retratar aquilo que o cenário mesmo entrega. O desafio dado para Laustsen foi o de transformar a personagem de Sally Hawkins em uma estrela de cinema dos anos 1960, mesmo ela sendo uma faxineira na divisão militar durante a Guerra Fria. Além disso, momentos de dor e tortura tinham que encaixar na narrativa sem destoar da identidade de del Toro. 
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
Sally Hawkins and Doug Jones in the film THE SHAPE OF WATER. Photo Courtesy of Fox Searchlight Pictures. © 2017 Twentieth Century Fox Film Corporation All Rights Reserved (Foto: Divulgação)
Oscar 2018: os destaques da direção de fotografia (Foto: Divulgação)
“Nós amamos a câmera em movimento. Nada muito maluco, claro, mas Guilhermo queria que ela estivesse viva e flutuando a todo momento”, disse Dan em entrevista ao Deadline. Portanto, artifícios como steadicam e dollies foram bastante usados nas gravações do filme para dar a sensação de flutuar como o diretor queria, reforçando a estética aquática proposta pelo romance entre uma mulher muda e um homem-anfíbio. Mágica e beleza não faltam em mais um filme incrível de Guilhermo del Toro.
Fonte:http://casavogue.globo.com/Colunas/Arte-do-Cinema/noticia/2018/02/oscar-2018-os-destaques-da-direcao-de-fotografia.html


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